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6 maneiras como lidar com os trolls e bullying online

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Tempo de leitura: 9 minutos

Mulher concentrada ao computador, rodeada por balões de fala com emojis de raiva e frustração.

Este guia oferece estratégias práticas e empoderadoras para enfrentar trolls e bullying online, promovendo um ambiente digital mais seguro e positivo.

Lidar com trolls e bullying online exige uma abordagem estratégica e focada na preservação da saúde mental.

Para enfrentar esses desafios, é fundamental ativar a blindagem emocional, compreendendo que as agressões online raramente refletem a realidade de quem as recebe, mas sim as inseguranças de quem as profere.

Além disso, é crucial reconhecer e acolher os sentimentos gerados por tais ataques, permitindo-se sentir para depois agir de forma ponderada.

A regra de ouro é alimentar-se a si mesmo, não ao troll, utilizando as ferramentas de silenciar, apagar e bloquear para criar um espaço digital seguro.

Finalmente, usar o poder das plataformas para definir limites e buscar apoio social no seu círculo de confiança, documentando qualquer escalada de assédio para uma possível ação legal.

Ao ler este artigo até o fim, você irá:

  1. Blindar sua saúde mental online.
  2. Entender o comportamento dos agressores.
  3. Gerir suas emoções com eficácia.
  4. Não alimentar ciclos de toxicidade.
  5. Proteger-se com ferramentas digitais.
  6. Construir um ambiente seguro online.

1. Ative a sua blindagem emocional

O ambiente online, por vezes, transforma pessoas em sombras corajosas, incapazes de expressar opiniões de forma construtiva.

É importante lembrar que os comentários negativos e ataques direcionados a si, muitas vezes, não refletem a sua realidade ou o seu valor intrínseco. Na verdade, são um espelho da própria insegurança, frustração ou desconforto de quem os profere.

A distância física proporcionada pela tela liberta alguns para expressarem agressividade que jamais demonstrariam cara a cara.

Ao internalizar estas críticas, você está permitindo que a dor alheia se torne a sua dor, uma troca injusta.

Pense na tela como uma barreira que permite que as pessoas ataquem uma persona, uma imagem, e não a pessoa real por trás dela. Ao separar a sua identidade do conteúdo recebido, você cria uma distância psicológica essencial.


2. Reconheça e acolha o sentimento

Quando se depara com um comentário ou mensagem perturbadora, a sua primeira reação instintiva é responder impulsivamente ou ignorar completamente.

Contudo, o caminho mais saudável passa por uma pausa consciente.

Permita-se sentir as emoções que surgem, sejam elas raiva, tristeza, frustração ou até mesmo confusão.

Não se julgue por sentir estas emoções; elas são respostas naturais a um ataque. O importante é como você escolhe lidar com elas.

Técnicas de autocuidado imediato são aliadas poderosas neste momento. Antes de qualquer ação, respire fundo por alguns segundos, focando na entrada e saída de ar.

Se possível, afaste-se do dispositivo por alguns minutos, dê uma volta curta ou ouça uma música calma. Este pequeno intervalo permite que a intensidade da emoção diminua, dando espaço para uma resposta mais ponderada e menos reativa, evitando que a situação escale.


3. Alimente a si mesmo, não o troll

O objetivo principal de quem pratica assédio online, sejam trolls ou agressores de bullying, é provocar uma reação. Quanto mais intensa e emocional for a sua resposta, mais eles se sentem validados e motivados a continuar.

Ao reagir, você está, inadvertidamente, alimentando o ciclo de toxicidade e dando a eles o poder sobre o seu estado de espírito.

O silêncio, neste contexto, não é submissão, mas sim uma estratégia de poder.

Utilizar as ferramentas de “Mute”, “Delete” e, especialmente, “Block” são atos de autocuidado e autoproteção.

Ao silenciar, apagar ou bloquear alguém, você está ativamente a remover a fonte de negatividade da sua vida digital e a reafirmar o seu direito a um espaço online seguro e tranquilo.

É uma declaração de que o seu bem-estar tem prioridade.

FerramentaDescriçãoQuando Usar
Silenciar (Mute)Impede que veja publicações de um utilizador sem que ele saiba.Quando não quer ver o conteúdo de alguém, mas não se sente pronto para um bloqueio total.
Apagar (Delete)Remove um comentário específico que lhe foi dirigido ou que foi publicado na sua página.Quando um comentário é inadequado ou ofensivo e quer que desapareça rapidamente.
Bloquear (Block)Impede que um utilizador o veja, o contacte ou interaja consigo na plataforma.Quando o assédio é persistente, ameaçador ou causa grande desconforto.

4. Use o poder da plataforma e defina limites digitais

As plataformas de redes sociais oferecem um leque de ferramentas concebidas para proteger os seus utilizadores. Familiarize-se com as opções de denúncia, filtros de comentários e definições de privacidade.

Estas funcionalidades são seus aliadas na criação de um ambiente digital mais seguro e controlado.

O bloqueio e a denúncia ativa de comportamentos inadequados enviam um sinal às plataformas de que determinados conteúdos não são aceitáveis, contribuindo para um espaço online mais saudável para todos.

Para além das ferramentas de segurança, considere também a gestão da sua própria exposição.

Manter as suas contas mais privadas, especialmente se não tem um propósito público para elas, reduzirá o alcance de comentários indesejados.

Avalie o que partilha online e se certos tópicos são sensíveis, que atraem atenção negativa, são realmente necessários de serem tornados públicos.

Definir limites claros sobre a quantidade e o tipo de informação que partilha é uma forma proativa de se proteger.

  • Consulte as definições de privacidade da sua conta.
  • Reveja quem está autorizado a comentar nas suas publicações.
  • Utilize filtros de palavras para ocultar termos ofensivos.
  • Denuncie conteúdos e utilizadores que violem as regras da comunidade.
  • Considere tornar o seu perfil privado, se apropriado.

5. Busque o seu círculo de verdade

O assédio online é solitário e isolador, fazendo com que se sinta como se estivesse a enfrentar o problema sozinho.

Nesses momentos, o apoio de pessoas de confiança é um bálsamo para a alma e um reforço crucial para a sua saúde mental.

Falar sobre o que está a acontecer com um amigo próximo, um membro da família ou um profissional de saúde mental (como um terapeuta) oferece uma perspetiva externa e validação.

Estas conversas ajudam a lembrar-lhe do seu valor e da realidade dos seus relacionamentos, servindo como um antídoto contra a negatividade que tentam impor.

Se a sua presença online o expõe a um volume significativo de comentários, ter alguém de confiança para “filtrar” as interações mais cruéis é uma estratégia eficaz.

Esta pessoa vai ajudar a identificar o que precisa de ser abordado e o que deve ser simplesmente ignorado, aliviando a carga emocional que recai sobre si.

O apoio social não só o protege emocionalmente, mas também o fortalece, lembrando-o de que não está sozinho e que existem pessoas que se importam.


6. Documentação e ação legal

Em situações onde o assédio se torna mais sério, evoluindo para ameaças, difamação ou perseguição (stalking), a documentação é um passo fundamental.

Antes de apagar qualquer conteúdo ofensivo ou de bloquear um agressor, tire capturas de tela (screenshots) imediatas.

Certifique-se de que a data e a hora estão visíveis, assim como o nome de utilizador e o contexto da mensagem ou comentário. Esta prova é essencial caso decida tomar medidas mais formais.

Se a situação escalar e for necessário reportar às autoridades competentes, como a polícia ou entidades de proteção de dados, terá em mãos as evidências necessárias para fundamentar a sua queixa.

Esta preparação é sobre estar preparado e capacitar-se para proteger os seus direitos e a sua segurança, garantindo que a responsabilidade recai sobre quem cometeu os atos de assédio.

Passos para documentar evidências:

  • Capture a tela da mensagem, comentário ou perfil.
  • Inclua sempre o nome de utilizador e a plataforma.
  • Registe a data e hora da ocorrência.
  • Guarde os ficheiros em locais seguros e organizados.
  • Se possível, anote o contexto da interação.

Perguntas frequentes

  1. O que significa o princípio “não é sobre você”?
    Os ataques online refletem a insegurança do agressor, não um julgamento sobre você.
  2. Qual a importância de não internalizar críticas online?
    Permitir que a dor alheia se torne sua é uma troca injusta.
  3. Como a tela deve ser vista como uma barreira protetora?
    Ela permite que ataques sejam direcionados a uma persona, não à pessoa real.
  4. Qual a primeira reação a se evitar ao ver comentários perturbadores?
    Responder impulsivamente ou ignorar completamente são caminhos menos saudáveis.
  5. O que fazer ao sentir emoções negativas após um ataque online?
    Permita-se sentir sem julgamento e respire fundo.
  6. Quais técnicas de autocuidado imediato ajudam?
    Respirar fundo e afastar-se do dispositivo por alguns minutos.
  7. Qual o objetivo de quem pratica assédio online?
    Provocar uma reação intensa e emocional para se sentir validado.
  8. Por que o silêncio é uma estratégia de poder no contexto online?
    Não alimentar o troll com reações intensas.
  9. É sinal de fraqueza usar as ferramentas “Mute”, “Delete” ou “Block”?
    Não, são atos de autocuidado e autoproteção.
  10. Qual a descrição da ferramenta “Silenciar (Mute)”?
    Impede que veja publicações de um utilizador sem que ele saiba.
  11. Quando devo usar a ferramenta “Bloquear (Block)”?
    Quando o assédio é persistente, ameaçador ou causa grande desconforto.
  12. Como as plataformas de redes sociais ajudam na proteção?
    Oferecem ferramentas como denúncias, filtros e definições de privacidade.
  13. Além das ferramentas, o que mais deve ser feito para definir limites digitais?
    Gerenciar a exposição, tornar contas privadas e avaliar o que se compartilha.
  14. Por que o suporte social é importante contra o assédio online?
    Alivia a solidão, oferece validação e recorda seu valor.
  15. Quando a documentação e ação legal se tornam necessárias?
    Em casos de ameaças, difamação ou perseguição (stalking).

 

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