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Porque os casamentos de hoje não duram mais como os casamentos do passado?

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Tempo de leitura: 7 minutos

Homem e mulher com cabelo rosa usam laptop e celular em um café na cidade.

Casamentos hoje enfrentam desafios modernos: expectativas individuais crescentes, menor tolerância a conflitos e influências externas amplificadas, diluindo a resiliência que caracterizava uniões passadas.

Os casamentos de hoje não duram tanto quanto antigamente principalmente devido a uma mudança radical nas expectativas dos indivíduos sobre à relação.

Se antes o casamento era visto como um pilar de segurança e estabilidade social e econômica, hoje ele é buscado como fonte de felicidade plena, realização pessoal e um companheiro que atenda a todas as necessidades emocionais, o que eleva consideravelmente o patamar de exigência.


A mudança das expectativas

A busca por felicidade plena, realização pessoal, paixão avassaladora e um companheiro que seja simultaneamente melhor amigo, amante e confidente tornou-se o ideal.

Essa elevação drástica das expectativas, embora positiva em muitos aspectos, carrega consigo um peso considerável.

Quando a realidade do dia a dia não corresponde a essa visão idealizada, a frustração se instala rapidamente.

O desafio não é mais apenas “estar” casado, mas sim estar “feliz” casado, o que exige um nível de compatibilidade e conexão que nem sempre é fácil de encontrar ou manter.

A busca por um “parceiro perfeito” nos leva a focar excessivamente nos defeitos do outro ou nas falhas da relação, esquecendo que nenhum ser humano é perfeito e que relações duradouras exigem aceitação e crescimento mútuo.

O “felizes para sempre” moderno muitas vezes se choca com a complexidade da vida a dois, onde desentendimentos, desafios e rotinas são inevitáveis.

Essa idealização, quando não gerenciada com realismo, gera a sensação de que sempre há alguém “melhor” por aí, alimentando um ciclo de insatisfação.


Independência e escolha

A autonomia financeira e a liberdade de escolha permitem que as mulheres saiam de relacionamentos insatisfatórios, abusivos ou simplesmente infelizes, sem o medo da dependência ou do ostracismo social que assolava gerações passadas.

Essa liberdade é um avanço inegável para a dignidade e o bem-estar individual.

Paralelamente, o estigma associado ao divórcio diminuiu drasticamente. O que antes era visto como um fracasso pessoal e social, hoje é frequentemente compreendido como uma decisão necessária para a saúde mental e emocional.

Essa menor pressão social significa que as pessoas tendem a entrar e permanecer em casamentos porque genuinamente desejam estar juntas, e não por obrigação ou conveniência.

A facilidade com que se sai de uma relação, somada à percepção de que há muitas outras opções disponíveis, diminui a resiliência e a vontade de investir no conserto quando surgem os primeiros obstáculos.

A escolha de estar junto torna-se um exercício diário, e a possibilidade de não escolher mais está sempre presente, o que exige um compromisso mais ativo e intencional.


A psicologia da manutenção

Quando um casamento enfrenta dificuldades, a tentação de buscar uma “solução rápida” e substituí-lo por algo que pareça “novo” e “sem defeitos” é avassaladora.

A tecnologia, com a proliferação de aplicativos de namoro, amplifica essa ilusão de infinitas opções.

A constante exposição a perfis de pessoas potencialmente compatíveis cria um sentimento de que “sempre há alguém melhor”, desestimulando o investimento necessário para nutrir e reparar os relacionamentos existentes.

A psicologia por trás disso é complexa: a dopamina liberada pela novidade e pela busca constante é mais viciante do que o conforto e a profundidade de um laço construído com tempo e esforço.

O contraste com o passado é notável. Antigamente, o casamento era visto como um compromisso a ser honrado e mantido, com uma forte ênfase no “conserto” em vez da substituição.

Hoje, a responsabilidade pelo “conserto” recai quase inteiramente sobre os indivíduos, exigindo uma maturidade emocional e habilidades de comunicação que nem sempre foram ensinadas ou desenvolvidas.

Abordagem tradicionalAbordagem moderna
Foco no “conserto” e na manutenção.Tendência à “substituição” por novas opções.
Pressão social e religiosa para não desistir.Liberdade de escolha e menor estigma do divórcio.
Aceitação de imperfeições e desafios como parte da vida.Busca por um ideal de “felicidade plena” e perfeição.
Menor acesso e visibilidade de “alternativas”.Exposição constante a novas possibilidades (apps, redes sociais).

O papel do tempo

Conhecer verdadeiramente o outro, com seus defeitos e virtudes, seus sonhos e medos, em diferentes situações de vida, é fundamental.

Esse tempo não se refere apenas à duração do namoro, mas também ao tempo dedicado a construir uma base sólida de amizade, confiança e comunicação.

É durante esse período que aprendemos a lidar com as diferenças, a resolver conflitos de forma construtiva e a desenvolver uma intimidade profunda que vai além da atração superficial.

O autoconhecimento também é um componente crucial do tempo investido. Quanto mais nos conhecemos, mais preparados estamos para escolher um parceiro que complemente nossas vidas de forma saudável e para entender nossas próprias necessidades e limites.

Em contraste, casamentos iniciados por pura paixão avassaladora, sem um período adequado de namoro e amadurecimento da relação, correm o risco de se deparar com a dura realidade da convivência quando a euforia inicial diminui.

A falta de tempo para testar a resiliência do casal diante dos desafios cotidianos leva a surpresas desagradáveis e à percepção de incompatibilidade tardia.

Portanto, o tempo, quando bem utilizado, funciona como um alicerce para a longevidade e a solidez do casamento.

  • Namoro prolongado: Permite a observação de padrões de comportamento em diversas situações.
  • Construção de amizade: Desenvolve intimidade e confiança além da paixão.
  • Resolução de conflitos: Cria um histórico de como o casal lida com desentendimentos.
  • Autoconhecimento: Capacita o indivíduo a fazer escolhas mais conscientes sobre parceiros e expectativas.
  • Experiências compartilhadas: Fortalece os laços através de vivências conjuntas.

Perguntas frequentes

  1. Como as expectativas sobre casamento mudaram ao longo do tempo?
    Antigamente, focava-se em segurança; hoje, busca-se felicidade plena e paixão.
  2. Qual era o principal objetivo do casamento antigamente?
    Era visto como arranjo social e econômico para formar família e continuidade.
  3. Qual é o ideal moderno para um relacionamento?
    Busca-se felicidade plena, realização pessoal, paixão e um parceiro multifacetado.
  4. O que acontece quando a realidade não atende ao ideal moderno?
    A frustração se instala rapidamente, impactando a relação.
  5. Por que a busca por um “parceiro perfeito” é problemática?
    Foca em defeitos, esquecendo que relações duradouras exigem aceitação mútua.
  6. Como a independência feminina impactou o casamento?
    Mulheres não precisam mais casar por necessidade econômica ou social.
  7. Qual a consequência da menor pressão social para casar?
    Pessoas tendem a casar por desejo genuíno, não por obrigação.
  8. Como a liberdade de escolha é uma armadilha nos relacionamentos?
    Ela diminui a resiliência e a vontade de consertar diante dos obstáculos.
  9. A qual mentalidade moderna os relacionamentos afetivos têm sido comparados?
    À “cultura do descartável” e à gratificação instantânea.
  10. Como a tecnologia afeta a manutenção dos relacionamentos?
    Apps criam ilusão de opções, desestimulando investimento nos laços existentes.
  11. Qual era a ênfase tradicional na manutenção de um casamento?
    Havia forte ênfase no “conserto” em vez da substituição.
  12. Quem é o principal responsável pelo “conserto” de um casamento hoje?
    A responsabilidade recai quase inteiramente sobre os indivíduos.
  13. Qual o papel do tempo nos relacionamentos duradouros?
    É fundamental para o conhecimento mútuo e a construção de uma base sólida.
  14. O que o tempo investido no conhecimento mútuo antes do casamento proporciona?
    É um fator protetor contra o divórcio, facilitando a escolha consciente.
  15. Por que casamentos iniciados por pura paixão correm riscos?
    A falta de tempo para amadurecer a relação leva a descobertas tardias de incompatibilidade.

 

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