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O que fazer para sobreviver em um casamento infeliz?

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Tempo de leitura: 8 minutos

Uma mulher madura reflete pensativa à mesa, com um livro aberto e café fumegante sob luz solar.

Para sobreviver a um casamento infeliz: priorize seu bem-estar. Busque autoconhecimento, fortaleça amizades, procure terapia. Se necessário, tome a corajosa decisão de buscar a felicidade, mesmo que sozinha. O amor próprio é o alicerce.

Para sobreviver a um casamento infeliz, é essencial adotar uma abordagem multifacetada que inclua a

  • Aceitação radical da realidade presente;
  • A priorização do próprio bem-estar e identidade;
  • A aplicação de ferramentas para uma comunicação construtiva;
  • A prática de pequenos gestos de esperança;
  • A busca por suporte externo e;
  • A definição de limites claros.

As vantagens de ler este artigo até o fim:

  • Compreender a aceitação radical.
  • Priorizar o seu bem-estar.
  • Melhorar a comunicação.
  • Cultivar micro-momentos de esperança.
  • Procurar suporte e definir limites.
  • Encarar a infelicidade como fase.

Pare de lutar contra a realidade

Aceitar a realidade tal como ela se apresenta não significa concordar com ela, nem resignar-se a uma vida de sofrimento.

Significa, antes de mais nada, parar de gastar uma energia preciosa numa luta infrutífera contra o que não será mudado no momento presente.

É reconhecer, sem julgamento, que a dinâmica atual do seu casamento é uma realidade, e que tentar forçar uma mudança no comportamento ou nas perceções do seu parceiro, quando este não está recetivo, é um caminho exaustivo e, frequentemente, frustrante.


Reencontre o “eu”

Pergunte a si mesmo:

  • Quem é você para além do seu papel de cônjuge?
  • Que atividades lhe traziam alegria antes desta fase?
  • Que paixões foram deixadas de lado?

Reinvestir tempo e energia nos seus hobbies, nas suas amizades, na sua saúde física e mental é um ato de autopreservação.

É construir uma base sólida de felicidade pessoal que se torna um refúgio, um ponto de ancoragem em meio à tempestade conjugal.

Uma boa saúde física, conseguida através de exercício e alimentação equilibrada, tem um impacto direto na sua resiliência emocional.

Cultivar amizades genuínas oferece um espaço seguro para partilhar as suas frustrações e receber apoio incondicional, relembrando-lhe que não está sozinho.

Retomar atividades que lhe dão prazer (seja ler, pintar, praticar desporto, aprender algo novo) reconecta-o com a sua essência, com a sua vitalidade.

Cada pequena ação que dedica a si mesmo é um tijolo na construção da sua fortaleza interior.

É importante lembrar que a sua capacidade de ser feliz não deve estar intrinsecamente ligada à perfeição do seu casamento; ela reside em primeiro lugar dentro de si.


Mude a dinâmica de conflito

A comunicação não-violenta (CNV), desenvolvida por Marshall B. Rosenberg, oferece um conjunto de ferramentas práticas para transformar a forma como interage com o seu parceiro, mesmo quando as emoções estão à flor da pele.

A base da CNV reside em expressar as suas necessidades e sentimentos de forma clara e respeitosa, ao mesmo tempo que se procura compreender os sentimentos e necessidades do outro.

Em vez de focar nas culpas e nas críticas (“Tu nunca me ajudas!”), a CNV sugere focar na observação sem julgamento (“Reparei que a louça não foi lavada depois do jantar”) e expressar os seus sentimentos (“Sinto-me sobrecarregado e frustrado quando vejo a louça acumulada”) e as suas necessidades (“Preciso de sentir que partilhamos as responsabilidades em casa para que me sinta apoiado”).

Validar os sentimentos do seu parceiro, mesmo que não concorde com a sua perspetiva, é crucial.

Dizer algo como “Percebo que te sentes magoado quando falo de outra forma” abre portas para uma conversa mais calma, em vez de fechar ouvidos e corações.

O objetivo não deve ser forçar o outro a mudar, mas sim criar um espaço onde a empatia possa florescer, mesmo em desentendimento.

Tentar introduzir estes princípios, um passo de cada vez, começará a desarmar os ciclos de conflito, promovendo um ambiente mais pacífico e, quem sabe, permitindo a redescoberta de momentos de conexão.


Cultive micro-momentos de esperança

Um sorriso sincero ao acordar, um “bom dia” dito com genuíno interesse, perguntar como correu o dia do outro e, crucialmente, ouvir a resposta, são exemplos simples de como reintroduzir a amizade no seu casamento.

A gratidão é uma ferramenta poderosa neste contexto. Dedique alguns minutos, todos os dias, para identificar e, se possível, partilhar com o seu parceiro, cinco coisas pelas quais se sente grato em relação a ele ou à vossa vida em conjunto.

Deve ser algo tão simples como “Agradeço por teres feito o café hoje de manhã” ou “Fiquei contente por teres trazido flores”. Este exercício força o cérebro a procurar o positivo, mesmo quando a negatividade parece dominar.

Estas pequenas trocas de gentileza e reconhecimento criam uma corrente subterrânea de afeto e compreensão que, ao longo do tempo, terá um impacto significativo.

Abaixo, apresento um exemplo de como registar estes momentos:

DataPequeno gesto de amizadeMomento de gratidãoImpacto sentido
15/03/2025Perguntei sobre o seu dia e ouvi atentamente a resposta.Agradeci por ter arrumado a sala.Senti uma ligeira diminuição da tensão no ar.
16/03/2025Ofereci uma chávena de chá sem que ele pedisse.Sou grato por ele ter cuidado do nosso cão quando estive indisposta.Um pequeno sorriso trocado quebrou a rotina.
17/03/2025Partilhei uma pequena piada que o fez rir.Agradeci pela sua ajuda com a compra.Achei que a noite pareceu um pouco mais leve.

Busque ajuda e defenda o seu espaço

A terapia de casal, quando ambos os parceiros estão dispostos a participar, é um caminho para a reparação ou, pelo menos, para uma separação mais pacífica.

Paralelamente, é fundamental estabelecer limites saudáveis. Isto significa comunicar claramente o que é aceitável e o que não é no seu relacionamento, e estar preparado para aplicar essas regras.

Limites protegem a sua energia, o seu bem-estar mental e emocional, e afirmam o seu direito a ser tratado com respeito. Definir limites é desafiador, especialmente se o seu parceiro não estiver habituado a eles.

Contudo, a longo prazo, estabelecê-los é essencial para preservar a sua sanidade e dignidade. O apoio social, seja de amigos de confiança ou de grupos de apoio, também desempenha um papel vital.

Saber que existem outras pessoas que compreendem ou passaram por situações semelhantes alivia o sentimento de isolamento.

Para gerir a busca de suporte e a definição de limites, considere os seguintes pontos:

  • Identificar as suas necessidades: O que precisa de mudar para se sentir mais seguro e respeitado?
  • Comunicar os limites: Expresse os seus limites de forma clara, calma e assertiva.
  • Consistência: Mantenha-se firme nos seus limites; a inconsistência vai enfraquecê-los.
  • Procurar ajuda profissional: Um terapeuta guiará neste processo.
  • Rede de apoio: Cultive relações positivas fora do casamento.

Perguntas frequentes

  1. O que significa Aceitação Radical num casamento infeliz?
    Não é concordar, mas sim parar de lutar contra a realidade presente.
  2. Por que é importante focar no “eu” num casamento infeliz?
    Para resgatar a identidade, nutrir a felicidade pessoal e manter a resiliência.
  3. Que ferramenta de comunicação ajuda em discussões?
    A Comunicação Não-Violenta (CNV) com foco em sentimentos e necessidades.
  4. O que são “micro-momentos” num casamento?
    Pequenas interações diárias que trazem positividade e esperança.
  5. Como cultivar micro-momentos de esperança?
    Com sorrisos, “bom dia” com interesse, e partilha de gratidão.
  6. Por que a gratidão é importante em momentos difíceis?
    Força o cérebro a procurar o positivo e a diminuir a negatividade.
  7. É um sinal de fraqueza procurar apoio externo?
    Não, é um ato de coragem e sabedoria para navegar a situação.
  8. Qual o papel de um terapeuta num casamento infeliz?
    Oferece um espaço seguro para explorar sentimentos e desenvolver estratégias.
  9. O que são limites saudáveis num relacionamento?
    Comunicar o que é aceitável e o que não é, defendendo o seu espaço.
  10. O que fazer se o parceiro resistir aos limites?
    Manter-se firme, pois a consistência é essencial para a sua validade.
  11. Como o suporte social ajuda?
    Alivia o sentimento de isolamento ao conectar com quem entende.
  12. A infelicidade conjugal é sempre permanente?
    Não, será uma fase se houver esforço e compromisso mútuo.
  13. O que focar quando a saída imediata não é opção?
    A própria atitude, ações e desenvolvimento pessoal.
  14. O que fazer se houver abuso no casamento?
    Procurar ajuda imediata, autoridades, linhas de apoio ou refúgios.
  15. O que a Aceitação Radical oferece no presente?
    Liberta energia da luta infrutífera para focar no bem-estar.

 

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